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Panorama do mercado de sustentabilidade/ESG

A crescente adoção de práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) tem impulsionado a expansão de um mercado estratégico para a economia de baixo carbono, criando oportunidades profissionais. O estudo inédito "Empregos do Futuro no Brasil: Transição Justa para Economias de Baixo Carbono", conduzido pela Fundação Grupo Volkswagen, projeta que a transição para uma economia de baixo carbono pode gerar entre 6,4 milhões e 7,1 milhões de empregos verdes até 2030 no país, podendo chegar a 15 milhões até 2050. Entretanto, assim como em outros setores, a população negra ainda é sub-representada nas carreiras de sustentabilidade, o que evidencia a necessidade de uma transição justa e verde que coloque as pessoas historicamente marginalizadas no centro do desenvolvimento, como defende a Ambiafro.




No avanço das agendas climáticas e ESG, o mercado superou a fase dos discursos institucionais e dos relatórios maquiados (greenwashing) para transformar esses critérios em gestão de riscos financeiros, exigência regulatória e sobrevivência no mercado. Após uma onda de euforia e um movimento de ajuste crítico subsequente (com questionamentos sobre a padronização de métricas e a polarização política), a agenda consolidou-se em patamares práticos e mensuráveis. Esse avanço ampliou a demanda por profissionais especializados em sustentabilidade, gestão de riscos, responsabilidade social e governança corporativa. No entanto, a baixa presença de pessoas negras nesses espaços reflete desigualdades de acesso à educação, às redes profissionais e às oportunidades de qualificação. Em resposta a esse cenário, iniciativas como a Ambiafro atuam na formação e empregabilidade de lideranças negras para empregos verdes, contribuindo para tornar esse mercado mais inclusivo e representativo.


A sub-representação racial no setor de sustentabilidade não afeta apenas a diversidade, mas também a qualidade e a efetividade dos projetos. A ausência de profissionais negros em processos de tomada de decisão pode resultar em soluções desconectadas das realidades das periferias e dos territórios mais vulneráveis às mudanças climáticas, reduzindo a capacidade de identificar riscos, mobilizar comunidades e gerar impactos duradouros. Dessa forma, equipes diversas tendem a produzir estratégias mais inovadoras, eficientes e alinhadas às necessidades da população, fortalecendo os resultados das iniciativas socioambientais, contribuindo para ambientes mais inovadores, para o fortalecimento da responsabilidade social das empresas e para impactos positivos para toda a população.


Assim, o crescimento do mercado de sustentabilidade e ESG representa uma oportunidade para promover desenvolvimento econômico e inclusão social. Contudo, para que a transição para uma economia de baixo carbono seja verdadeiramente sustentável, é necessário ampliar a participação da população negra nos empregos verdes e nos espaços de liderança. Nesse sentido, organizações como a Ambiafro demonstram que investir na formação e no protagonismo de profissionais negros é essencial para construir soluções mais justas, eficazes e capazes de responder aos desafios ambientais e sociais do país.

 

Fontes:

CONSELHO EMPRESARIAL BRASILEIRO PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (CEBDS). Impacto e relevância da agenda ESG na reputação das empresas. Rio de Janeiro: CEBDS, [s.d.]. Disponível em: https://cebds.org/artigo/impacto-e-relevancia-da-agenda-esg-na-reputacao-das-empresas/. Acesso em: 25 jun. 2026.


FUNDAÇÃO GRUPO VOLKSWAGEN. Empregos do futuro: estudo inédito propõe caminhos para uma transição justa de baixo carbono com inclusão produtiva no Brasil. São Paulo: Fundação Grupo Volkswagen, [s.d.]. Disponível em: https://fundacaogrupovw.org.br/empregos-do-futuro-estudo-inedito-propoe-caminhos-para-uma-transicao-justa-de-baixo-carbono-com-inclusao-produtiva-no-brasil/. Acesso em: 25 jun. 2026.

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