Adaptação climática justa: a nova frente da Ambiafro
Em 2026, a Ambiafro abriu seu quarto pilar de atuação: Adaptação Justa ao Clima. Ele se soma ao Empreendedorismo Sustentável, ao Treinamento e Empregabilidade e à Ambitech, com um objetivo próprio: cidades e territórios preparados para o clima, com recorte de raça e gênero.
O que é adaptação, e o que a torna justa
Adaptação climática é o conjunto de medidas que prepara cidades e territórios para efeitos da mudança do clima que já estão em curso, como ondas de calor, chuvas extremas, enchentes e deslizamentos. É uma agenda diferente da mitigação, que trata de reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
Um plano de adaptação decide onde a obra de drenagem chega primeiro, qual encosta recebe contenção e que bairro ganha arborização. Essas escolhas dependem do que o poder público consegue enxergar. Sem dado desagregado por raça, o investimento segue para onde já existe estrutura, e as periferias ficam fora da estratégia.
O Censo 2022 do IBGE mostra o tamanho do que fica de fora: 16,4 milhões de pessoas vivem em favelas e comunidades urbanas no Brasil, e 72,9% delas são pretas ou pardas. Adaptação justa é aquela que leva raça, gênero, renda e território para dentro dos critérios de prioridade, da escuta às comunidades e da medição de resultados.
Da norma ao território: onde atuamos em 2026
Neste ano, a frente atua em três esferas de política pública: estado, município e União.
No estado do Rio de Janeiro, contribuímos, em conjunto com o Clean Air Fund, para a consulta pública de atualização das regras do SELCA, o sistema estadual de licenciamento ambiental. O licenciamento define as condições para que atividades com impacto ambiental funcionem. Nossa contribuição propôs a justiça ambiental como princípio e indicadores desagregados por raça, cor, renda e idade, para que o processo passe a enxergar quem vive no entorno dos empreendimentos.
Na cidade do Rio de Janeiro, participamos da revisão do plano climático municipal. Defendemos o recorte de raça, gênero e renda e a prioridade de adaptação nas áreas mais expostas a calor, enchentes e deslizamentos.
No governo federal, contribuímos com a Estratégia Nacional de Soluções Baseadas na Natureza para Áreas Urbanas (ENSBN-Urbana), em construção em 2026 pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Soluções baseadas na natureza são intervenções que usam ecossistemas e processos ecológicos, como áreas verdes, arborização e recuperação de cursos d'água, para reduzir enchentes, deslizamentos e ilhas de calor. Na cidade, elas são instrumentos de adaptação. Por isso, a pergunta sobre quais bairros as recebem primeiro vale também para elas.
O que a frente entrega
A primeira entrega é o diagnóstico de vulnerabilidade com recorte de raça e gênero, que mostra quem está exposto e onde. A segunda são indicadores desagregados e MRV social. MRV é a sigla para monitoramento, relato e verificação. Na versão social, o método mede quem de fato recebe os benefícios de uma política ou de um projeto. A terceira é a formação de lideranças locais, para que as comunidades afetadas participem das decisões de adaptação com conhecimento técnico próprio.
Essas entregas se apoiam no que a Ambiafro já faz. A Ambitech, nossa frente de tecnologia e clima, trabalha com dados geoespaciais e sistemas de monitoramento. A formação de pessoas negras em clima acompanha a organização desde a origem.
Os planos de adaptação e as regras de licenciamento revisados agora vão orientar investimento público por muitos anos. A pergunta que levamos a cada uma dessas mesas é a mesma: quais territórios aparecem primeiro na lista, e com base em que dado.
Sobre a Ambiafro
A Ambiafro é uma organização da sociedade civil brasileira, fundada em 2020, que integra equidade racial, clima e desenvolvimento sustentável. Já atendeu mais de 500 pessoas e concedeu 15 bolsas de pós-graduação para líderes negros em ESG e clima.
Dúvidas e outros assuntos: contato@ambiafro.com





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